Dança no  Mundo


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As danças centro-americanas

A América Central não foi influenciada somente pela mistura de culturas depois da colonização e importação dos escravos mas também por todas as culturas crioulas que se desenvolveram posteriormente, desde Cuba até o Chile. O México, com sua rica variedade cultural transformou-se na mãe adotiva e trampolim de uma das danças latinas mais conhecidas: o mambo.
Quando os franceses invadiram o México entre 1861 e 1867, grupos indígenas fugiram para as montanhas. Ocasionalmente retornavam para espiar os franceses e uma das coisas que mais lhes chamavam a atenção eram as danças tradicionais como a valsa, a polca, a mazurca. Quando os franceses abandonaram o lugar, os indígenas saíram de seus esconderijos e, para comemorar a libertação, reunidos imitaram grotescamente as danças francesas. O rancor contra oas invasores foi suficiente para que repetissem a paródia com tanta frequência que ela acabou por se transformar em uma tradição conhecida como "dança de las mascaritas", na qual se imitavam os vestidos das mulheres e os uniformes militares. Para completar a paródia colocavam sobre o rosto um lenço branco onde pintavam as feições dos europeus. Posteriormente, substituíram os lenços pelas máscaras.
A música era constituída por uma marcha militar, que se tovava no início e no final, uma dança de casal com uma música especialmente alegre (no tempo 6/8, do tipo ternário, imitando a valsa ou a mazurca), com algumas coreografias bem definidas, ainda que, como em todas as danças latinas, tivesse muita importância a liberdade dos dançarinos. Nos sones combinavam-se partes instrumentais sapateava-se com força e nas partes cantadas os dançarinos realizavam passeios. Em uma das suas evoluções mais interessante, o el son cedeu espaço ao haupango, uma dança distanciada das raízes européias, que combina tempos de 2/4 com outros 6/8, criando um ritmo cruzado de grande complexidade. Mas a dança realmente represantante do México e de muitos países centro-americanos é o jarabe, "xarope", dança casais ao compasso 3/4 e 6/8, com alternância de sapateados e escobillados (deslocamento do pé perto do chão), de cujos movimentos mais suaves surgiram as variantes de cada país. Também em ritmo ternário (6/8) está a dança la bamba, que no final dos anos 50 popularizou, nos Estados Unidos, o cantor Ritchie Valens, mesmo que em um compasso de rock and roll, em 4/4.
A influência do México na dança de salão foi decisiva quando, graças à sua pluralidade, adotou uma dança que em Cuba estava praticamente proibida : o mambo. Dámaso Pérez Prado chegou com a intenção de realizar uma breve turnê, mas o entusiasmo despertado nas pistas de dança prolongou por vários anos a sua permanência. Ele criou a Orquestra Mexicana e participou do filme Al Son de Mambo. Graças a este êxito, o mambo saiu do México e invadiu as pistas de dança de todo o mundo.

A chilena: A dança que no México recebeu o nome de Chilena (por ter vindo diretamente do Chile por meio do comércio marítimo) se conhece em outras área da América Central e da América do Sul como cueca ou zamacueca. É uma dança, conhecida desde da época da colonização espanhola, que se executa ao som de uma música de violão bastante rítmica. O casal afasta-se, se segue e se ultrapassam, girando um ao redor do outro.

As danças dos garifunas : As comunidades negras que vivem nas costas caribenhas da América Central têm o nome genérico de garifunas ou caribes negros. Começaram chamando-se a si mesmos de garinagu. Durante os três últimos séculos, apesar dos inúmeros fluxos de migrações e de sua relação com os ingleses, franceses e espanhóis, preservaram grande parte da cultura das suas principais ramas de ascendência: os indígenas caribenhos e os escravos africanos. Em 1635, dois barcos espanhóis carregados de escravos naufragaram perto da ilha de San Vicente, no norte da Venezuela Os negros escaparam e foram acolhidos pelos índios da ilha. Desta mestiçagem nasceram os garinagu (depois chamados de garifuna) que permaneceram em San Vicente até que, em 1795, os ingleses os fizeram prisioneiros e os transportaram, em companhia de outros escravos negros, às ilhas da costa hondurenha, de onde os levaram ao continente, fixando-os no litoral, ao longo de Belize, Honduras e Nicarágua. Nestes três países, a dança social por excelência é a que surrgiu nas sociedades garifunas, a punta, praticada em todas as reuniões sociais, tanto nas festas como nos velórios, e cuja característica mais destacada é o marcado movimento de quadris dos dançarinos. Nestas regiões a punta é o equivalente da salsa em outros países. Outras danças da área são o jungujungu de fiesta (uma dança em círculo) e o gunchei, uma elegante dança social de casais, de origem provavelmente francesa, na qual cada homem dança por turno com cada mulher

 


Extraído da publicação: "As melhores Dicas de Dança de Salão" publicada por edições Del Prado.