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As Danças de Cuba
Em
Cuba, a fusão se produziu de modo especialmente intenso: depois do primeiro
cruzamento entre a África e a Espanha, se introduziram elementos franceses,
italianos e, no século XX, a tradição negra dos Estados Unidos. Isto fez Cuba
uma das regiões mais produtivas do planeta no que se refere a danças musicais.
Os principais ritmos de Cuba são a rumba, nascida nos subúrbios, no século XIX;
o danzón, que nasceu no século XVIII e, especialmente el son, autêntica coluna
vertebral da dança e da música da ilha. O son montuno, por ser originário do
monte, já era dançado no século XVIII, tanto individualmente como em parceria,
mas sempre separado.
No final do século, os franceses chegaram a Cuba, fugindo dos rebeldes haitianos
e, além de trazerem a contradança, incorporaram pequenas inovações no el son,
como o fato do casal começar a dançar entrelaçado. No entanto, os pais impuseram
as suas filhas que dançassem com os quadris bem separados. Os dançarinos só
podiam aproximar o peito.
A dança é realizada com as pernas semiflexionadas. e delas parte o impulso que
move todo o corpo, sem deslizar os pés, já que nos irregulares terrenos de terra
e areia era necessário levantá-los bastante. Com os peitos próximos, os quadris
bem separados e os pés distantes do chão, é provável que a dança pudesse parecer
chocante.
Entretanto, ela foi passando das regiões ocidentais às orientais, e o modo de
dançá-las de transformou completamente. Os movimentos tornaram-se mais suaves e
a postura mais relaxada. Também, nos salões das cidades, é mais fácil deslizar
os pés pelo chão. O homem coloca a perna direita entre as pernas da mulher e o
passo consiste, basicamente, em avançar e recuar, dando passos alternativos com
a esquerda e a direita a cada dois tempos, movendo o peito para o lado do pé em
que se apóia.
Depois de instalado em Havana, o el son começa a se tornar mais completo e
aparecem as primeiras coreografias, como a rosca, na qual a mulher dirige o
homem enquanto ele realiza um giro sobre si mesmo.
Em 1879, o cornetista Miguel Failde Pérez introduziu uma variação à contradança
e nasceu o danzón. A evolução não parou aqui e, em 1929, Aniceto Díaz, com a
música intitulada apropriadamente Quebrando a rotina, fundiu dois inimigos da
época, o danzón e o el son, para criar o danzonete. Destas misturas nasceram o
chá-chá-chá, o mambo, a conga ou o novo ritmo, no qual o danzón se combina com
elementos sinfônicos, melodias especialmente bem cosntruídas, jazz e swing, o
que fez com que conseguisse fazer furor nos Estados Unidos. Em pleno século XX,
nos anos 40 e 50, o el son combina-se com o latins jazz, o mambo, o merengue e a
cúmbia colombiana para dar origem á salsa.
Catálogo das danças cubanas
Bolero:
Descendente do bolero espanhol. Atualmente tem pouca semelhança com ele. Surgiu
em 1880 e assimilou várias influências musicais, dando origem, nos anos 20, ao
bolero-son, conhecido atualmente como balada ou salsa romântica.
Chá-chá-chá: Estilo nascido em meados dos anos 40, descendente do danzón-mambo e
mais fácil de dançar. Popularizou-se durante os anos 50, porém na década de 60
perdeu esta característica.
Colúmbia:
Dança lenta de origem africana acompanhada somente de percussão e executada
unicamente por homens.
Conga:
Designa tanto um baile de carnaval cubano, como uma dança de salão que teve
bastante êxito durante os anos 30, e um grande tambor de origem africana
utilizado na salsa.
Guaguanco:
Dança rápida e erótica de origem africana que conta só com percussão. É dançada
em parceria.
Guajira:
Dança nascida no leste de Cuba, originária da tradição espanhola,
instrumentalizada no início com canto, um violão e uma percussão pequena e
suave. mais tarde se introduziu um contrabaixo e ampliaram a percussão. Antecede
ao son montuno.
Guaracha:
Música nascida nos prostíbulos do século XVIII. No século XX, é introduzida nos
círculos mais seletos e transforma-se na guaracha-son e guaracha-rumba.
Habanera:
Para alguns é de origem espanhola, para outros é de prigem cubana. Os primeiros
compositores a chamavam de contradança-crioula. É uma fusão entre a contradança
francesa, e el son e o danzón cubanos. A estrutura ritmica é simples, e as
frases contêm sempre dois períodos de oito compassos.
Mani:
Dança de combate, similar a uma arte marcial, dos escravos das plantações de
açucar do século XIX. No centro de um círculo uma dançarina realiza uma série de
exercícios marcias e, depois escolhe um antagonista entre os homens do círculo.
Ambos executam uma coreografia que é a representação de um combate.
Sucu-sucu:
Variante do el son que nasce na ilha de Pinos, no final do século XIX. Aplica-se
tanto à dança como à música e ao lugar onde se executa. É parecido com o son
montuno: o coro repete uma frase fixa e um solista improvisa as respostas
acompanhado pelos instrumentos. A dança realiza-se em parceria, mantendo quadris
e ombros imobilizados.
Tango congo:
Dança similar ao tango argentino que se desenvolveu em Cuba durante os anos 20.
Tembleque:
Coreografia recente que consiste em fazer vibrar o corpo, imitando uma descarga
elétrica.
Vacuano:
Movimento provocativo dos quadris, originário da rumba e bastante utilizado
pelos dançarinos de salsa
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