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As danças sul-americanas

Embora a dança sul-americana mais consagrada seja o tango, no seu surgimento participaram muitas danças populares da Argentina e do Uruguai, que são praticados até hoje, como o candomblé, a milonga e o chamamé.
Na época da colonização, os negros sul-americanos cantavam algumas canções de ritmo forte sem acompanhamento, ou simplesmente com um pequeno tambor: eram semelhantes às músicas de trabalho dos escravos nos Estados Unidos, porém muito mais alegres. Estas músicas e danças eram chamadas de calenda, bambula, semba ou samba , compartilhavam sua origem com a música dos negros brasileiros que mais tarde originou o samba, ao mesmo tempo em que nascia o tango e, finalmente, o candomblé.
No século XIX, o candomblé era a única palavra existente para se referir à música negra que havia se separado completamente da intenção ritual de sua origem.
O candomblé não se consolidou até 1870. Nesses anos, as danças européias sofriam fortes transformações na América do Sul: enquanto em Cuba a contradança transformava-se em habanera, no Uruguai a polca deixava de ter um compasso binário de 2/5 para ter um ternário de 6/8; outra adptação da polca originou uma das expressões mais festivas da Argentina, o chamamé, dança que propiciou a instrumentação típica do tango (ainda por fazer) incorporando o acordeon e o bandonion. No Uruguai também nasceu a milonga que, quase desde o início dividiu-se em dois gêneros musicais: a milonga campera ou milonga (canto interpretado com o acompanhamento de um violão), uma forma bastante popular em Buenos Aires no século XIX, com forte influência espanhola, e a própria milonga como dança.
Os lugares onde a milonga era tocada serviam de ponto de encontro para ouvir outros tipos de música que, mesmo pertencendo a outros estilos, passaram a ser chamadas de milonga.
A milonga também introduziu algumas variações na forma de dançar que , como diziam seus primeiros dançarinos, era ä "la francesa". Os casais dançavam juntinhos, e não separados como no candomblé. Diferente dos casais de boa família que evitavam o contato físico, os inventores da milonga preferiam que os corpos ficassem em contato direto. A mulher realizava o movimento de recuo e não executava contorções. Apesar do grande êxito, que garantiu sua existência até hoje na Alemanha e no Uruguai, a milonga teve seu brilho ofuscado pela explosão do tango, que nasceu a partir da influência direta da milonga, em 1870.

Catálogo das danças sul-americanas

Candomblé:
dança de raízes africanas desenvolvida no Rio da Prata pelos escravos. Atualmente é dançada no Uruguai, especialmente em Montevidéu.

Carnavalito: dança que evoluiu a partir da contradança européia, e na qual os casais permanecem separados e ficam posicionados em círculo. É dançada principalmente durante o carnaval.

Chamamé: dança de ritmo vivaz oriunda da adaptação da polca européia. Quando chegou ao sul do Brasil e ao nordeste da Argentina incorporou novos instrumentos como o acordeon e o bandoniom. Caracteriza-se como uma dança de classe baixa de Buenos Aires, Santiago do Estero e Córdoba.

Chamarrita: esta música, de tempo binário e ritmo complexo e sincopado (descrita por alguns como danza coja) surgiu de uma dança de coreografia bastante livre e alguns movimentos básicos. É um ritmo alegre que sofre influência das regiões onde é praticada: nas cidades de Entre Rios ou Corrientes, na Argentina; no Uruguai ou no sul do Brasil.

Gato: dança na qual os casais permanecem separados. Nasceu da adaptação das danças européias ao estilo local. Seu ritmo é o de uma valsa rápida. Uma forma bastante conhecida é o "gato com apelos", ou seja, gatos com histórias , na qual ao som da dança narram-se fatos amorosos filosóficos ou políticos.

Milonga: dança de compasso de 2/4 e 4/4 com melodias bastante comoventes que acabou se transformando em um ritmo dançante em Buenos Aires. O estilo é influenciado conforme a interpretação dos músicos e dos dançarinos uruguaios ou de Entre Rios (Argentina). Atualmente, é dançada na Argentina e Uruguai.

Valsado: imitação da valsa que os imigrantes europeus levaram para a Argentina.

Os tipos de tango: Os três tipos de tango mais difundidos são: o argentino, o norte-americano e o internacional. O tango argentino (arrabalero), é a dança sem influências, como foi criada em Buenos Aires. Os dançarinos interpretavam a música espontâneamente, sem movimentos ou variações predeterminadas. Ao contrário, no tango americano a estrutura preparada obedece ao fraseio musical. esta limitação expressiva desaparece completamente no estilo internacional, que expressa um tango bastante disciplinado e severamente estruturado, é a modalidade praticada na dança esportiva. Os dançarinos permanecem na tradicional posição fechada. No entanto, estes não são todos os tipos de tango: o êxito desta dança gerou inúmeras variações em todos os lugares do mundo. Por exemplo, o tango inglês possui uma grande semelhança com o foxtrot.
 

 

 


Extraído da publicação: "As melhores Dicas de Dança de Salão" publicada por edições Del Prado.